sexta-feira, 26 de maio de 2017

Os Libertinos Peculiares - Parte I - Fuga da Cidadela

~~Mansão de Conde Não Tem Dono ~~


Após fugir da jaula, eles se viram em uma situação horrível, chamas e fumaça empesteavam o ambiente, sons de gritos eram ouvidos de todas as partes. Disse o lefou: ``Nós deveríamos sair desse lugar, antes que os guardas apareçam e nos peguem com as mãos desarmadas``. Falou a criatura, com uma voz linear e sem muita personalidade, como se estivesse constantemente de saco cheio da vida. ``Muito bem capitão óbvio, mas como vamos sair desse inferno``, falou Jhull, com um tom de sarcasmo. ``Eu não vou sair dessa cidadela até saber como está o estado de meu irmãozinho`` disse Lia. Flik de maneira astuta disse ``Se nós ariscarmos sair daqui de mãos vazias podemos acabar topando com alguém armado, sugiro irmos até a mansão e pegar algumas armas e como brinde resgatamos o totó da Lia``. Todos concordaram por suas razoes.

Ogof estava um caos, a maioria dos guardas e soldados estavam ocupados combatendo os guerrilheiros não-humanos. A batalha se concentrava a oeste do centro, guardas paramentados de armaduras básicas, espadas e lanças, lutavam corajosamente contra os elfos, que contavam com longas espadas curvas e flechas com um metro de comprimento, para lançar tais projete-os era necessário dois soldados elfos, se acertasse seu alvo, a flecha rompia as costelas, atravessando o tórax e estraçalhando a coluna da vítima. Os guardas tentavam seguir em frente na forma de pequenos grupos para poder surpreender os rebeldes, que estavam distraídos com uma alvejada de flechas curtas, muitos elfos estavam morrendo, pouco a pouco os soldados avançavam o terreno e encurralando os elfos contra a muralha. O líder das hordas, o elfo de cabelos longos e negros Gahar Nefusim, prevendo a iminente coação, ordena aos lobos cavar uma fuga por baixo da muralha.

Nosso curioso grupo de amigos, segue sem muitos percalços até a mansão do conde, que aliais não se encontrava em sua casa, já que avia ido em uma missão diplomática, no castelo do rei Baslut III, mais conhecido como rei negro, devido a abundância de aço negro em suas terras.

Chegando na mansão, nosso grupo se dividiu, Yushis ficou de vigia na entrada, Lia foi até o canil da mansão e Flik e Jhull foram em busca de uma provável sala de armas.

A hobbit e o goblin não tinham dificuldade de se esgueirar pelos cantos do edifício sem serem notados. Passando pelos salões e corredores desertos, notaram que dois soldados estavam guardando uma sala. Disse Jhull: ``tantos corredores e salas e não achamos um soldado sequer, mas esta sala conta com dois guardas, deve ser a sala das armas ou até a sala dos tesouros´´. Completou Flik: ´´você distrai os guardas e eu ataco eles por cima´´. E assim foi feito, Jhull ficou na frente dos guardas e exclamou: ``os cavalheiros poderiam me dizer onde fica o banheiro é que estou muito apertada``, os guardas ao ouvirem isso, reagiram sacando suas espadas e indo correndo em sua direção, Jhull correu na direção contraria, os guardas a seguiramaté darem de cara com Flik que se equilibrava em uma viga do corredor, o pequeno guerreiro rodou seu corpo, quando segurava na viga e deu com os pés bem na cara de um guarda, que caio e bateu violentamente a cabeça no chão, o deixando desmaiado. O outro guarda foi com a espada em direção ao corpo de Flik , para o cortar no meio, mas ele flequecionou os braços levantando seu corpo bem na hora, fazendo com que a espada cortasse apenas ar. Frustrado, o furioso soldado manejou sua espada para cortar uma área mais certa de ser atingida, como os braços ou a cabeça, quando ele levantou sua espada pra cortar a criatura verde, ele simplesmente deixa sua espada cair e sente uma dor excruciante em suas costas e barriga, Jhull avia aproveitado a situação e pegou a espada do guarda desmaiado e a atravessou contra o soldado furioso, ele cai no chão com a dor e fica ajoelhado com a cara pro piso de madeira, Flik aproveitou a situação e se soltou dando com os dois pés na cabeça do soldado que bateu violentamente o rosto contra o chão, quebrando seu nariz e deslocando se maxilar, ele ficou desmaiado e sangrando.

Flik e Jhull entraram na sala que outrora estava guardada e ali acharam um arsenal impressionante de armas, aviam armaduras, espadas, arcos, flechas e lanças. Mais do que depressa eles começam a se equipar com o que podem. Eles avistam uma sombra vindo do corredor, imaginando que poderia ser outro guarda, eles se esconderam atrás de uma mesa, Flik preparou uma flecha e mirou contra a sombra, conforme ela se aproximava ele esticava o arco, então atirou a flecha e errou terrivelmente atingindo o umbral da porta. Uma coisa positiva, pois quem estava chegando era seu amigo lefou Yushis, que ao ver a flecha atingir poucos centímetros de seu rosto, exclamou: ``que recepção mais amorosa, isso foi muito baixo até pra você``. Flik retrucou: ``foi mal, achei que fosse um guarda habilidoso que vinha nos matar, mas é só você mesmo´´.

Confuso com o deboche do goblin, o lefou direcionou seus olhos para as armas e armaduras da sala, vestiu uma armadura que lhe cabia e pegou uma espada curta. Viu ele uma coisa que chamou sua atenção, uma espada de aço negro que se encontrava em uma cúpula de vidro, que continha símbolos arcanos, pra quem observava a espada, podia-se notar uma áurea negra dentro da cúpula, como se fosse uma leve fumaça dentro do recipiente. Seus olhos cobiçavam a espada, mas ele temia que ela poderia ter uma armadilha. Ignorando seus instintos, Yushis quebra a cúpula com uma lança, ao ser quebrada a cúpula libera uma energia negativa que subia contra o teto, mas isso não atinge ninguém que estava na sala, então o lefou pega a espada e a admira, ela era uma lamina curva e negra, com runas escritas em toda a lamina, o cabo era adornado com um desenho que lembrava um vulto humano. Após se armar, o trio volta para a entrada para se encontrar com sua amiga elfa.

Lia se encontrava em frente do canil, que estava sem nenhum guarda, provavelmente porque as chamas já aviam chegado aos arredores da mansão e o canil era o menor dos problemas dos guardas, já que uma mansão queimada poderia resultar em cabeças cortadas. A elfa teria que ser rápida, as chamas ameaçavam queimar o canil, ao entrar notou um soldado abatido na entrada, então revirando o cadáver ela achou um molho de chaves em suas roupas, com o molho ela adentrou o canil, que já estava com fumaça por toda parte, avia muito barulho de latidos dos cães que aliestavam. Ela escutou um uivo em meio a fumaça e viu seu tão amado irmãozinho, apreçando-se para achar a chave, ela enfim abril a jaula do jovem lobo, que pulou nela e a lambia de felicidade. Ela se levantou e disse: ´´vamos Ghost, esse lugar vai desabar com as chamas``. O lobo se manteve parado olhando para as outras jaulas, onde se encontravam outros lobos e cães, ao todo eram dez jaulas, cinco a esquerda e cinco a direita, as chamas se aproximavam pela esquerda, ela então decide abrir todas as jaulas, começando pela esquerda, infelizmente as chamas deram a volta no canil e começaram a consumir os jaulas da direita, a essa altura ela avia aberto as cinco jaulas da esquerda, mas não teve tempo de abrir as demais jaulas. Ela teve que sair do recinto enquanto escutava os cães e lobos restantes latirem e uivarem de dor, pois estavam sendo queimados vivos. Quando estavam saindo, uma viga se rompeu, fazendo com que um pedaço de madeira em chamas caísse bem nas costas de seu companheiro canino, que gritou de dor. Fora do canil ela usou suas habilidades místicas de cura para regenerar o seu companheiro queimado, que se recuperou, mas ficou com uma cicatriz em suas costas. Ela se dirigiu a entrada da mansão, onde se encontrou com os demais integrantes do grupo.

Na entrada da mansão eles discutiam qual seria seus próximos passos, Disse Flik: ``Pessoal, nós estamos paramentados, mas eu estou sem minhas coisas, digo nossas coisas, ouvi dizer que elas poderiam estar no quartel a leste do centro, sugiro irmos lá``. ´´Eu não tenho apego emocional as minhas coisas, sou a favor de irmos embora´´, disse Yushis. Respondeu Jhull ao lefou: ´´pra você é fácil falar, já que você arrumou um brinquedinho novo``, dizia ela se referindo a espada negra. ´´Eu de fato não tenho apegos materiais, já resgatei meu irmãozinho, sugiro irmos embora``, exclamou Lia a todos. Flik finalizou dizendo: ´´façamos assim, Jhull e eu iremos até o quartel e nós pegaremos nossas coisas, enquanto vocês vão sair das terras do conde e armar um esconderijo e mandar um sinal pra eu e Jhull podermos achá-los.

Todos concordaram, Lia e Yushis saíram por de trás da mansão para economizar tempo, enquanto Flik e Jhull iriam voltar pro cidade em meio ao caos.

Jhull perguntou a Flik: ´´como vamos ir até o quartel sem sermos pegos``. Respondeu Flik: ``tenho um plano bem promissor``, disse ele olhando pra uma torre. O pequeno goblin pegou um bom pedaço de corda, subiu até o auto da torre, onde amarrou a corda em uma flecha, usando todas as suas forças ele disparou a flecha que atinge um prédio que se encontrava poucos metros do quartel, ele amarrou a corda e com isso fez uma tirolesa, seu arco seria o apoio pra poder descer. Flik se posiciona e Jhull se segura nele com toda sua força e eles descem em direção a cidade em chamas.

-Ygor R. Mendel

Os Libertinos Peculiares - Parte I - Fuga da Cidadela

~~O Decreto Maldito~~


Conde Vlademir Vascovisque, Lorde da grande cidadela conhecida como Lar de Ogof e soberano de todas as terras em derredor que se estendem até o rio de Agaria. No ano de 846, decretou de maneira tirânica, que em todas as delimitações de suas terras, estaria proibida a permanência e tolerância a não-humanos, qualquer tipo de criatura com inteligência de nível mínimo que não fosse humana, deveria ser expulsa ou encurralada e mandada para as prisões, para aguardar ordem de execução.

Ogof era um grande centro de comercio de sua região, o que atraia os mais variados tipos de vendedores e compradores, na ocasião do decreto, muitos seres das mais diversas espécies estavam de passagem por lá, mas isso não os poupou de serem acorrentados e jogados nos calabouços. A maioria era de almas inocentes, que nunca aviam feito mal a ninguém, mas pelo simples fato de não serem humanos, eram constantemente humilhados e demonizados pelos inescrupulosos guardas de Ogof.

Em uma das selas, um grupo peculiar, de criaturas das mais ordinárias, fora reunido. No grupo se encontrava o goblin de mãos rápidas Flik Galen, a hobbit de cabelos vermelhos Jhull Radfli, o lefou de óculos Yushis Giryan e a elfa druida Lia Galamion. Eles estavam mofando naquela sela por sessenta dias, tempo em que eles desenvolveram uma certa amizade e intimidade, características de quem sabia que iria ter uma morte na fogueira. Na manhã do dia sessenta e um, eles foram levados para sua execução, em uma carroça gradeada, com soldados a cavalo escoltando a carroça, que passava por uma rua larga. As multidões se espremiam nas calçadas, para poder zombar, gritar, apontar e jogar frutas podres nos condenados.

A esperança de salvação era nula, cabisbaixos, tudo que podiam fazer era esperar uma morte dolorosa e agonizante. Flik segurava a mão de Jhull forte, ela por sua vez, levantou o rosto de Flik, fazendo com que ele focasse em seus olhos, olhando Flik para o rosto de Jhull, vê estampado em seus lábios um pequeno sorriso, que o fez lembrar de todas as aventuras que os dois tiveram antes de parar naquela situação, isso lhe deu um pouco de alivio. Yushis olhava para o chão da carroça e pelas frestas da madeira via o chão se deslocando com o andar dos cavalos, não sentia muita preocupação, já que os da sua espécie são naturalmente ocos de sentimentos. Lia olhava preocupada para a mansão do conde que se encontrava na parte alta da cidadela, pensava o que teria ocorrido com seu irmão adotivo Ghost, ele não era um elfo, mas sim um lobo, membro da alcateia onde ela foi adotada.

No meio do caminho para a morte, os guardas que estavam conduzindo a carroça de condenados, deixaram de escutar gritos de ódio, para ouvir gritos de terror. Pessoas corriam pedindo ajuda e um furdunço se instaurou entre a multidão, ’’fogo, fogo’’ gritavam eles. De trás das ruelas, se via uma equipe vindo, não eram sodados que viam para ajudar a apagar as chamas, mas uma horda de elfos, armados com espadas longas, arcos e lobos gigantes de tamanhos consideráveis. Os guerrilheiros de orelhas pontudas gritavam ``morte aos humanos, liberdade aos cativos``. Na confusão os cavalos que puxavam a carroça, acabaram disparando, perdendo o controle e batendo contra uma mureta, a batida foi tão forte, que virou a carroça, e quebrou o ossuário de madeira abrindo um buraco suficientemente grande para dar liberdade, para nossa sortuda equipe.

-Ygor R. Mendel

A Alvorada da Criação.

A muito tempo atrás, antes da própria criação, os deuses se reuniram para discutir como criariam o mundo, após uma eternidade de debates chegaram a uma conclusão, que a criação do mundo se daria mediante a seres que a deusa Emanis (deusa da Magia) criaria.

Tais criaturas eram chamadas de Djin ou gênios, eles foram criados e divididos em 7 raças, que são: gênios da água, responsáveis pela criação das criaturas marinhas, dos oceanos, dos rios e afluentes; gênios do Ar, deram origem ao céu, as estrelas, a lua, as nuvens, as aves e os ventos; gênios da terra, tinham por dever criar as florestas, criaturas terrestres e as montanhas; gênios do fogo, eram responsáveis por criar os desertos, os vulcões e o sol; os gênios das trevas juntos com os gênios de luz, criaram todas as almas, espíritos e seres com inteligência, pois só quando dois gênios, um de luz e um das trevas uniam forças, é que se podia criar um Ser, por esse motivo todos os seres, por mais malignos ou por mais santos, sempre contam com um lado bom e um lado mal; e a última raça era dos gênios anciões, que eram 10 gênios responsáveis por coordenar e arquitetar a criação.

Os gênios eram dotados de um poder inimaginável, capais de ameaçar a própria existência dos deuses. Depois que a criação foi terminada, os deuses se reuniram mais uma vez para discutir o que fariam com os gênios, muitos deles temiam o poder dos djins e desejavam exterminar sua raça. Então a deusa Sophia (deusa da sabedoria) tomou a palavra: ``meus caros irmãos, porque estais apreensivos por tão pouco? A resposta é simples, o poder dos gênios advém da magia e a magia só penetra esta dimensão através do portal de Bav’el (porta do poder), tudo que precisamos fazer é fechar o portal e eles ficaram inertes, não apresentando mais ameaça a nós´´. Respondeu Bartiphes (deus das colheitas): ´´mas a magia vai continuar penetrando esta dimensão, mesmo se fecharmos Bav’el´´. Retrucou Sophia: ´´sim vai, mas em uma quantidade muito inferior, tão pequena que todos os gênios juntos não teriam forças para enfrentar o mais fraco de nós´´.

Todos os 70 deuses concordaram com Sophia e Bav’el foi lacrado para sempre. E os gênios passaram a viver entre os mortais, até que alguém abra o portal de Bav’el e liberte seu verdadeiro poder.

-Ygor R. Mendel